Para alguns cronistas e
comentaristas, o alto investimento dos clubes brasileiros os credencia a
ocuparem o cargo de favoritos ao título da Libertadores. Para outros, a
sequência de títulos das equipes brasileiras – (Inter 2010/ Santos 2011/ Corinthians
2012/ Atlético Mineiro 2013) eleva o país ao status de “Bicho papão”. Mas,
quando a bola rola em competição sul americana, tudo pode acontecer.
Clubes de menor investimento
utilizam do fator casa para se colocarem em condições de igualdade. A questão
da disparidade entre as folhas salarias dos clubes do Brasil, em relação aos outros
clubes do Mercosul é simples: O real está valorizado, o Brasil é o país - economicamente
– mais forte da América do Sul, e – por conta disso – os valores dos salários
estão inflacionados. Qualquer jogador mediano em nosso país tem vencimentos que
não refletem sua qualidade técnica. Por isso, em nada me surpreende, o fato da
folha salarial do excelente Newell’s Old Boys (“apenas” 1 milhão de reais por
mês) ser inferior à do tradicional clube brasileiro... Criciúma (1 milhão e 200
mil reais por mês).
Pegando carona nesse pensamento,
e contrariando a lógica financeira, os melhores clubes da atual edição da
libertadores não são os brasileiros e sim os mexicanos.
Representados por Monarcas Morelia
(Já eliminado), León (grupo 7) e Santos Laguna (grupo 8), os times mexicanos
surpreendem pelo futebol apresentado. Ofensividade, movimentação, velocidade,
ousadia e um pouco de “irresponsabilidade”, são características destas equipes.
O Monarcas (eliminado para o
Santa Fé no playoff preliminar), em casa, dominou o time colombiano. Abriu 2x0
no placar, pôde aumentar a vantagem, mas sofreu gol em cobrança de falta. Então,
o Santa Fé, necessitava de uma vitória simples para se classificar, e assim o
fez. Entretanto, o panorama do confronto mostrou um Monarcas corajoso, ofensivo
e envolvente. Seus descuidos defensivos o tiraram da competição. O time conta
com o bom ex jogador do Tijuana, Reascos. (Bateu o pênalti defendido por Victor
– Atl. MG - nas quartas-de-final da Liberta de 2013)
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| Monarcas apresentou bom futebol, mas foi eliminado pela regra dos gols fora |
O León tem em sua defesa o consagrado
zagueiro, Rafa Marques (Ex Barcelona e New York Red Bull) o que não,
necessariamente, lhe garante segurança na defesa, pois – apesar da presença do
experiente zagueiro -, o sistema defensivo é frágil. Assim como o Monarcas, é
um time altamente ofensivo, que não abdica do ataque, e por muitas vezes se
expõe excessivamente. Penã e Boseli sempre se aproximam, e mostram faro de gol.
Seu técnico, Gustavo Matosas, é arrojado, faz substituições inusitadas, visando
sempre o futebol de ataque.
Santos Laguna, é o time sensação
desta edição da Libertadores. Contando com um poderoso ataque, com jogadores
selecionáveis, a equipe de Torreón surge como forte candidata à primeira
classificação geral. Peralta, Quintero e Renteria perturbam a defesa
adversária, em trocas de posição e movimentação contínua. Mesmo atrás no
marcador, a equipe não demonstra abatimento, e vai pra cima.
Santos Laguna é o time sensação da Copa Libertadores
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Em um tempo onde esquemas táticos
defensivos, pragmatismo tático europeu, 2 linhas, compactação, recomposição,
atacantes marcando laterais, e esquemas que são mais falados que a qualidade
técnica dos jogadores (quantas vezes nos deparamos com comentaristas dizendo
que jogador x, ou y é importante taticamente), é lindo - para os amantes de
futebol - vermos que em algum lugar, ainda existe o futebol puro: aquele que
visa o gol.
Os “cucarachos” mexicanos podem
até não chegar longe nessa libertadores, mas, inegavelmente, são os que mostram
futebol de melhor qualidade. De peito aberto, avante ao ataque: É a pimenta
mexicana temperando um insosso e previsível futebol sul americano.




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