quinta-feira, 27 de março de 2014

A força dos “cucarachos”



Para alguns cronistas e comentaristas, o alto investimento dos clubes brasileiros os credencia a ocuparem o cargo de favoritos ao título da Libertadores. Para outros, a sequência de títulos das equipes brasileiras – (Inter 2010/ Santos 2011/ Corinthians 2012/ Atlético Mineiro 2013) eleva o país ao status de “Bicho papão”. Mas, quando a bola rola em competição sul americana, tudo pode acontecer.

Clubes de menor investimento utilizam do fator casa para se colocarem em condições de igualdade. A questão da disparidade entre as folhas salarias dos clubes do Brasil, em relação aos outros clubes do Mercosul é simples: O real está valorizado, o Brasil é o país - economicamente – mais forte da América do Sul, e – por conta disso – os valores dos salários estão inflacionados. Qualquer jogador mediano em nosso país tem vencimentos que não refletem sua qualidade técnica. Por isso, em nada me surpreende, o fato da folha salarial do excelente Newell’s Old Boys (“apenas” 1 milhão de reais por mês) ser inferior à do tradicional clube brasileiro... Criciúma (1 milhão e 200 mil reais por mês).

Pegando carona nesse pensamento, e contrariando a lógica financeira, os melhores clubes da atual edição da libertadores não são os brasileiros e sim os mexicanos.

Representados por Monarcas Morelia (Já eliminado), León (grupo 7) e Santos Laguna (grupo 8), os times mexicanos surpreendem pelo futebol apresentado. Ofensividade, movimentação, velocidade, ousadia e um pouco de “irresponsabilidade”, são características destas equipes.

O Monarcas (eliminado para o Santa Fé no playoff preliminar), em casa, dominou o time colombiano. Abriu 2x0 no placar, pôde aumentar a vantagem, mas sofreu gol em cobrança de falta. Então, o Santa Fé, necessitava de uma vitória simples para se classificar, e assim o fez. Entretanto, o panorama do confronto mostrou um Monarcas corajoso, ofensivo e envolvente. Seus descuidos defensivos o tiraram da competição. O time conta com o bom ex jogador do Tijuana, Reascos. (Bateu o pênalti defendido por Victor – Atl. MG - nas quartas-de-final da Liberta de 2013)


Monarcas apresentou bom futebol, mas foi eliminado pela regra dos gols fora


O León tem em sua defesa o consagrado zagueiro, Rafa Marques (Ex Barcelona e New York Red Bull) o que não, necessariamente, lhe garante segurança na defesa, pois – apesar da presença do experiente zagueiro -, o sistema defensivo é frágil. Assim como o Monarcas, é um time altamente ofensivo, que não abdica do ataque, e por muitas vezes se expõe excessivamente. Penã e Boseli sempre se aproximam, e mostram faro de gol. Seu técnico, Gustavo Matosas, é arrojado, faz substituições inusitadas, visando sempre o futebol de ataque.


Boseli é o homem gol da equipe do León


Santos Laguna, é o time sensação desta edição da Libertadores. Contando com um poderoso ataque, com jogadores selecionáveis, a equipe de Torreón surge como forte candidata à primeira classificação geral. Peralta, Quintero e Renteria perturbam a defesa adversária, em trocas de posição e movimentação contínua. Mesmo atrás no marcador, a equipe não demonstra abatimento, e vai pra cima.



Santos Laguna é o time sensação da Copa Libertadores

Em um tempo onde esquemas táticos defensivos, pragmatismo tático europeu, 2 linhas, compactação, recomposição, atacantes marcando laterais, e esquemas que são mais falados que a qualidade técnica dos jogadores (quantas vezes nos deparamos com comentaristas dizendo que jogador x, ou y é importante taticamente), é lindo - para os amantes de futebol - vermos que em algum lugar, ainda existe o futebol puro: aquele que visa o gol.

Os “cucarachos” mexicanos podem até não chegar longe nessa libertadores, mas, inegavelmente, são os que mostram futebol de melhor qualidade. De peito aberto, avante ao ataque: É a pimenta mexicana temperando um insosso e previsível futebol sul americano.

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