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| As "faces" da Copa do Brasil |
Esse título pode parecer muito
ofensivo ou fatalista. De certa forma, é. Entretanto, foi um modo que encontrei
para expressar a situação que se instaura na maior competição nacional (em
quantidade de clubes participantes): A copa do Brasil.
E aí você pergunta: “Mas por que
promiscuidade?”
Simples! A copa que foi – durante
4 anos - KIA do Brasil, (em 2013) tornou-se PERDIGÃO do Brasil. Até aí tudo normal, mas... em 2014 foi
rebatizada com o nome de... SADIA do
Brasil. É aí que encontra-se a promiscuidade do negócio. Não é de hoje que
federações e clubes vendem seus direitos de nomes de competições e estádios,
respectivamente. Em geral os contratos de nomes de competições duram 4 ou 5 anos.
A concessão de nomes de estádios para empresas privadas dura cerca de 10 a 20 anos.
Mas vender o nome da Copa do Brasil para maior concorrente da Perdigão (a SADIA), foi uma jogada que
deve ser apurada e comentada em detalhes, que aos olhos de muitos seriam imperceptíveis.
Essa mudança ocorreu por um
simples fato: A Perdigão e a Sadia se fundiram e, em 2011, criaram a BRF
(Brasil Foods). O fator que “jogou contra” foi o aspecto identificação e
visibilidade do patrocinador – uma vez que o patrocinador vigente (sadia) e o
antecessor (perdigão) são a mesma empresa, porém cada uma obteve uma edição
(até então) da Copa do Brasil para associação da marca. O contrato assinado pela BRF é
válido até o ano de 2015.
Tirada à limpo essa questão, esses fatos nos levam à outra
reflexão:
Por quê o naming rights no Brasil não “cola”?
Pensei em algumas possibilidades:
Muitos de nós nunca chamaremos o
nome da competição pelo seu registro oficial pelos seguintes aspectos:
1. Falta
de créditos aos patrocinadores
As emissoras (geralmente,
as que não detêm de 100% dos direitos de transmissão das partidas da competição
em questão) não dão os créditos devidos ao nome da competição. Há uma exceção –
ainda mais negativa, diga-se de passagem. A Globo tem uma política rígida sobre
naming rights, sejam eles de competições que ela tem exclusividade ou não. Nessa
política, competições e estádios não são chamados pelo seu nome “comprado” e
sim pelo seu nome de “batismo”. Você sabia que a modernizada Arena Fonte Nova,
agora é Itaipava Arena Fonte Nova? Especificamente, nesse caso, o anúncio do
nome completo não se dá por haver conflito de patrocínios. A Tv Globo tem
contratos milionários de patrocínio com outra marca de cerveja.
2.A
mudança constante de patrocinador responsável por nomear a competição.
Como já vimos,
em poucos anos, 3 marcas atribuíram title
sponsor (título de patrocinador) à Copa do Brasil. A Libertadores
em 16 edições – desde que se adotou esse sistema de nomenclatura via naming
rights (1999) – também teve 3 marcas agregando o nome.
Exemplo inverso ao da liga – economicamente – mais forte do planeta: A Barclays Premier League. Comandada por uma liga de clubes e financiada pelo banco Barclays, a Premier League tornou-se um exemplo a ser seguido. O nome do banco incorporou-se à competição forma quase que univitelina. Impossível desassociar as marcas Premier League e Barclays.
Entretanto,
mesmo com estes fatores que contribuem para a diminuição dos investimentos no
território nacional via ferramenta naming rights, essa política tem se
alastrado pelo país. Em 2013, em ação ousada, a montadora de automóveis
Chevrolet comprou o patrocínio máster e o direito de renomear 21 estaduais. Em
2014, foi adicionado o Capixaba, elevando o número para 22 estaduais. Uma das
exceções foi o campeonato carioca, que em 2014 recebeu a alcunha oficial de Cariocão Guaraviton 2014.
Estaduais patrocinados pela
Chevrolet:
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| O mapa dos 22 estaduais ONIX |
Paulistão Onix
Paraibano Onix
Sul Mato Grossense Onix
Maranhense Onix
Piauiense Onix
Mineiro Onix
Rondoniense Onix
Sergipano Onix
Alagoano Onix
Cearense Onix
Acriano Onix
Paranaense Onix
Goianão Onix
Gauchão Onix
Catarinense Onix
Baianão Onix
Amazonense Onix
Matogrossense Onix
Potiguar Onix
Tocantinense Onix
AmapaenseOnix
Capixabão Onix
Outra competição que teve seu
nome oficial alterado – mas sem sucesso, exceto financeiro – foi o campeonato
Brasileiro. A nossa liga nacional passou a se chamar Brasileirão Petrobrás.
Mais uma vez a emissora detentora dos direitos (TV Globo) iniciava a
transmissão com uma arte (com o nome oficial), mas em nenhum momento da
transmissão citava a estatal em questão.
No quesito competições, nós os
“tupiniquins” ainda precisamos aprender com o “velho mundo”. Na Europa, das 5
maiores ligas do continente (Inglesa, Espanhola, Alemã, Francesa e Italiana) 3
possuem naming rights.
Patrocínios:
Inglaterra - Premier League –
Barclays (Instituição financeira)
Espanha - Liga Espanhola – BBVA
(Instituição Financeira)
Itália - Serie A – Tim (Empresa
de telefonia)
Das 5, somente
a Bundesliga (Alemãozão, rs) e a Ligue 1 (Francesão) não venderam seus nomes.
* A Itália
também conta com o patrocínio da TIM para a Copa da Itália.
As competições sul americanas
seguem o mesmo modelo de gestão de naming rights.
Entretanto, a emissora FOX SPORTS
– que detém de boa parte dos direitos de transmissão da Libertadores e
Sudamericana – dá os créditos devidos às competições.
No entanto, o hiato entre as
trocas de patrocínio máster nas competições da mercosul são maiores. Média de 4
anos.
A Toyota foi por 14 anos a
patrocinadora máster. Até hoje oferece um veículo ao melhor jogador da
competição. Com a assinatura da Conmebol com o banco espanhol Santander, a
Toyota continuou patrocinando a competição – como o faz até hoje. Com o
vencimento do compromisso do Santander, a Bridgestone (patrocinadora da
Sudamericana de 2011 e 2012) entrou no ciclo, e deu nome à competição
interclubes mais importante das américas.
Na Sudamericana, a Nissan foi por
8 anos patrocinadora máster, tendo sido substituída pela Bridgestone.
Atualmente a Petrolífera francesa Total dá nome ao certame.
Entretanto, a política de
patrocínios adotada pela UEFA e FIFA são diferentes das demais federações –
citadas acima. Não há contrato de naming right. Mesmo assim, os recursos
advindos de patrocínios são exorbitantes. As duas utilizam sistema similar. Os
patrocínios são setorizados, e responsáveis por serviços em suas competições.
Todos os patrocínios principais têm o mesmo tempo de exposição nos letreiros de
led que contornam o campo.
Um exemplo dessa prestação de
serviço é a alemã Adidas, que fornece material esportivo para os árbitros e
voluntários, além da bola – desenvolvida especialmente para cada edição do torneio.
O mesmo ocorre na Uefa Champions League e Uefa Europa League. Na copa do mundo,
todos os deslocamentos das delegações nas cidades sede são feitos em ônibus da
patrocinadora Sul coreana Hyunday. A hidratação é por conta da Coca-cola, e
assim cada empresa oferece seus “serviços”, além de muuuuuito dinheiro para ter
visibilidade no evento que mobiliza bilhões de pessoas ao redor do mundo.
O que podemos concluir?
Que a política de naming rights é
uma saída sensacional para aumento de receitas das competições, além de agregar
valor à marca que expõe seu nome. Em tempos de recessão financeira na Europa,
essa estratégia deu fôlego financeiro à federações e clubes. Mas, como nem tudo
são rosas, em nosso país, a ferramenta não obteve o mesmo sucesso. Ainda sim,
existe a intenção, por parte da iniciativa privada, em prestigiar nossos
esvaziados campeonatos (principalmente regionais), por que nossos estaduais são
vazios na arquibancada, mas, lotados atrás das televisões. Sendo assim, rendem
retorno aos seus patrocinadores.
Em suma, os naming rights
poderiam ser melhor aproveitados e divulgados por todos os veículos de mídia –
à fim de gerarem maiores receitas; Seus valores deveriam ser melhor divididos
entre os clubes participantes.
Em breve estarei postando a parte
2, que falará um pouco sobre as relações de naming rights nos equipamentos
esportivos.






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