domingo, 23 de março de 2014

NBA. Modelo de gestão de arenas esportivas

(NAMING RIGHTS – PARTE 2: EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS)

Nessa segunda parte, abordaremos os naming rights aplicados aos equipamentos esportivos e suas nuances.





Começando pelo cenário nacional, temos 3 estádios com seus nomes já modificados por conta dessa política de marketing (Allianz Parque, Itaipava Arena Pernambuco & Itaipava Arena Fonte Nova) e 1 estádio em negociação. (Arena Corinthians, em Itaquera). As Arenas Fonte Nova e Pernambuco receberão da Itaipava R$ 10 milhões anuais, durante 10 anos. Totalizando R$ 100 milhões. A Allianz investiu na casa alviverde 300 mihões de reais. Já no Estádio de Itaquera, o Corinthians pretende receber 400 milhões de reais (em contratos de 10 ou 20 anos).


Allianz Parque e Arena Corinthians
Itaipava Arena Pernambuco & Itaipava Arena Fonte Nova
















Como relatado na parte 1, a maioria dos veículos de mídia não cedem aos nomes oficiais, e preferem – por motivos já citados – utilizar os nomes já consagrados pelo público. Um exemplo nítido do fracasso de naming rights em estádios foi a situação vivida por Botafogo e Flamengo em 2005. Nesse ano, o Maracanã foi fechado para obras que visavam à adequação aos Jogos Pan-americanos de 2007. Sendo assim, os clubes tinham poucas opções. Mandar jogos em São Januário – o que ao Flamengo seria inviável por conta da rivalidade -, levar   seus mandos à Volta Redonda, ou jogar no combalido estádio da Portuguesa carioca, na ilha (Estádio Luso Brasileiro). O estádio tinha capacidade para 3.718 lugares. Então, a patrocinadora máster do Flamengo – na época -, a Petrobrás financiou a instalação de estruturas temporárias no estádio Luso Brasileiro e o ampliou para 30.000 lugares. As estruturas eram tubulares, e seriam desmontadas ao fim das reformas no Maracanã. Em contrato, o Estádio Luso Brasileiro mudava, temporariamente, de nome, tornando-se Arena Petrobrás. Pouquíssimo crédito foi dado ao nome (assinado em contrato), e a Arena Petrobrás se foi, deixando nenhuma saudade. 


Arena Petrobrás (Estádio Luso Brasileiro)

Em contrapartida, existiu sim, - um ponto fora da curva – no que diz respeito à associação de empresas à nomes de instalações esportivas. A localização? São Paulo. O nome? Palestra Itália, devidamente rebatizado pela “breja” Antárctica.


Parque Antártica (Palestra Itália)

Sim, o parque antártica foi o exemplo, embrionário, do que hoje é reproduzido pelo próprio Palmeiras, em contrato com a seguradora alemã Allianz.

No Brasil, ainda existe muita resistência no novo batismo de estádios já consagrados por confrontos épicos.
Se pensarmos em gestão de arenas para o futebol, quem tem a última palavra é a Allianz. Com amplo know-how, ela é responsável pela gestão das belíssimas, Allianz Riviera (País: França/ time: Nice), Allianz Stadium (País: Austrália), Allianz Park (Londres - Rugby), Allianz Arena (País: ALEMANHA/ times: Bayern de Munich &  TSV 1860 Munique) e Allianz Parque (País: Brasil / time: Palmeiras). A seguradora tem a responsabilidade de gerir estas 5 arenas pelo mundo, e zelar pelo padrão de qualidade (que é associado à sua marca).

Na ordem ( Allianz Riviera - Allianz Stadium - Allianz Park - Allianz Arena - Allianz Parque)


Das 5 maiores ligas do continente europeu (Inglesa, Espanhola, Alemã, Francesa e Italiana) as que possuem maior quantidade de estádios com naming rights vendidos são a Alemanha e Inglaterra. Na terra da rainha, isso se justifica, pois o futebol é negócio, business. Logo, em alguns casos, a tradição deve dar espaço ao conforto e modernidade. Esse foi o caso do Arsenal. A capacidade do seu tradicional campo, o Highbury, já não era suficiente para a quantidade de sócios. Sendo assim, a saída foi simples: Demolir o antigo e construir um novo. Para arcar os custos de construção, o Arsenal assinou parceria com a companhia aérea Emirates. Com isso, o novo estádio para 60.361 torcedores recebeu o nome da empresa.

Highbury
Emirates 

Outros estádios ingleses com naming rights:

Britannia Stadium (Stoke City) -  Etihad (Manchester City) - Reebok Stadium (Bolton)


Na Alemanha, o processo de venda dos nomes dos estádios se deu pelo mesmo motivo – financiar os custos de construção de estádios. Entretanto, nesse caso, a escala em que isso ocorreu foi maior. O advento da copa do mundo de 2006 fez com que a Alemanha remodelasse, e reconstruísse estádios para abrigar os jogos da Copa. A saída encontrada para diminuir o “déficit” advindo dos custos com construções das arenas foi a venda dos nomes das mesmas. A exceções foram a Volkswagen Arena e Bay Arena, pois seus clubes (Wolksburg e Bayer 04) são propriedade da Volkswagen e Bayer, respectivamente.


Algumas das arenas alemães:


Allianz Arena  - Munich (Foi sede na copa de 2006)
Veltins Arena - Gelsenkirchen (Foi sede na copa de 2006)

AWD Arena - Hannover (Foi sede na copa de 2006)

Aol Arena  - Hamburgo (Foi sede na copa de 2006)

Commerzkbank Arena - Frankfurt (Foi sede na copa de 2006)

Signal Iduna Park – Dortmund (Foi sede na copa de 2006)

Volkswagen arena - Wolksburg
Mercedes Benz Arena - Sttutgart (Foi sede na copa de 2006)


 Em outras localidades da Europa como Espanha e Itália, as tradições dos grandes palcos ainda não submergiu ao capital imposto pelos direitos de nome.
Outros estádios pela Europa que seguem o exemplo das arenas alemãs:

Philips Arena (PSV Eindhover)

Donbass Arena (Shaktar Donetsk)

Turk Telekon Arena (Galatasaray)




Enfim, o exemplo a ser seguido: NBA. Dos 30 times que disputam a National Basket American, aproximadamente 20 tem naming rights em suas arenas. Grandes marcas, de diversos setores injetam anualmente milhões de dólares, fortalecem o espetáculo, e contribuem para a manutenção do sucesso da liga de basquete americana. Todos esses fatores unidos são sinônimo de casa cheia, lucratividade, receita, espetacularização do esporte e maximizam a experiência do expectador no evento.

Algumas arenas da NBA.


FedExForum





Chesapeake Energy Arena




 Salt Lake CityUT
EnergySolutions Arena

Alguns valores de patrocínios nos EUA: 

American Airlines Arena - $2.1 milhões de dólares
(4.880.190,00 Reais) Por ano até 2019.

Phillips Arena - $ 9,3 milhões de dólares
(21.612.270,00 Reais) Por ano até 2019.

FedEx Forum - $ 4,5 milhões de dólares.
(10.457.550,00 Reais) Por ano até 2023.

A lucratividade dos negócios variam de caso a caso. O grande ponto positivo na NBA e outras modalidades americanas (NHL e NFL) é o fator de que dezenas franquias desfrutam de verba advinda de patrocínios de arena. No Brasil, os valores são parecidos, entretanto, naming rights aqui é uma pratica com exemplos pontuais. 


Conclusões: 

As gestões financeiras dos clubes hoje são complexas. É necessária uma engenharia financeira para equilibrar os ativos e passivos. Todas as receitas são válidas, e utilizar seu “mando” como uma fonte geradora de receitas é uma importante tática para trazer saúde financeira aos clubes, sejam eles de que esporte forem. No modelo de administração de arenas ainda estamos muito atrasados, pois em nosso país, os equipamentos são construídos com verba pública – muitas das vezes superfaturada – e após concluídos, são entregues à iniciativa privada por “qualquer troco”. As coisas têm que mudar, e meu desejo é que projetos como o do Palmeiras e Grêmio (que construíram seu estádio com capital 100% privado) sejam repetidos à outros clubes de massa, contribuindo para o fortalecimento do futebol nacional, através de técnicas de sucesso exportadas de modelos já consagrados.

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