terça-feira, 20 de maio de 2014

O Legado pós Copa. Será que ele existirá?


CBN promove o evento 'O legado da Copa' (Crédito: André Luiz Lima / CBN)
(Foto: André Luiz Lima/CBN)
O seminário foi coberto "in loco" pela equipe do Conexão da Bola.

Um debate acalorado com diversas perspectivas. Esse foi o seminário "O Legado da Copa", promovido pela CBN, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O evento contou com ilustres convidados: Branco (ex-Seleção Brasileira), Carlos Alberto Parreira (Coordenador técnico da Seleção Brasileira), Almir Somoggi (Especialista em marketing esportivo), Ricardo Trade (Comitê organizador local), Luis Fernandes (Secretário executivo do Ministério dos esportes) com mediação do jornalista da CBN, Carlos Eduardo Eboli. 

O tema foi abordado de forma simples, com perguntas dirigidas aos integrantes da cúpula organizadora local da Copa. 

A conversa se iniciou com uma afirmação interessante:

"Não é a Copa mais cara da história" - declarou o secretário Luis Fernandes.
Segundo ele, não devemos contar como "custos da Copa" as obras de mobilidade urbana, aeroportos, pois as melhorias em infraestruturas são necessárias para desenvolvimento do país. O custo real da Copa é calculado com base no preço dos estádios, somados ao valor das estruturas provisórias requeridas pela FIFA. Quando perguntado sobre a quantidade de sedes (12), Luís afirmou que a decisão foi acertada, descentralizando o turismo no país. Também reiterou que o turismo faturou R$ 9,7 bi na Copa das Confederações.

Almir Somoggi rebateu com veemencia, afirmando que as obras dos estádios representam, sim, altos custos ao Estado. 

Os questionamentos não cessaram. Eboli foi incisivo e disse que os problemas nos aeroportos são concretos. "As obras não foram concluídas com êxito. O que essa Copa vai deixar como legado?" - Perguntou Éboli.

Já Parreira teve uma perspectiva mais contemporizadora da situação. Para ele, os problemas de infraestrutura estão latentes, mas está confiante em uma grande Copa dentro das quatro linhas.

"Quando chego ao Brasil fico envergonhado. Mas, dentro de campo a Copa será ótima e teremos um legado positivo para o futebol." - declarou o coordenador técnico da Seleção. 

Em meio ao debate, questões sobre manifestações e civilidade emergiram. O público presente ao CCBB mostrou-se insatisfeito com declarações de Ricardo Trade (Comitê organizador Local) e - em alguns momentos - esboçou protestos.

Trade foi polêmico ao negar erros na organização da Copa e utilizar o lado emocional para amenizar os protestos:

"Toda a nossa logística está estruturada e afinada com o governo. Estamos famintos para fazer uma boa Copa. Nós, brasileiros, não somos bobos." - Expôs Trade

Entretanto, a platéia aplaudiu as declarações do ex-jogador, Branco. Sem utilizar meias palavras, o ex-lateral esquerdo não poupou a organização da Copa e criticou os "mandos e desmandos" da FIFA.

" Com a FIFA não temos que aprender. Temos que obedecê-la. Proibiram o 'Alzirão', não tenho visto ninguém pintando as ruas, e isso era comum." - Afirmou Branco

Enquanto o assunto era LEGADO, não havia consenso. Quando a conversa chegou ao futebol, a unanimidade se fez presente. Para todos, a Seleção é a obra mais bem acabada para a Copa. Mas, para o jornalista Carlos Eduardo Éboli, a unanimidade na convocação é preocupante, pois revela a "pobreza" na safra de jogadores brasileiros. 

Em meio às considerações finais, um homem se manifestou com relação à acessibilidade nas arenas da Copa. Portando uma cadeira de rodas o homem levantou-se, e declarou:

"Só cheguei ao estádio por que não era cadeirante. Se dependesse das condições de acessibilidade não conseguiria." - afirmou o manifestante

O debate se encerrou e as duvidas, sobre o que realmente ficará como legado, manteram-se. Mas essa questão permeará, provavelmente, as próximas discussões sobre Copa. De certo sabemos que as respostas a essas questões serão dadas a partir do apito final do jogo decisivo da Copa no Maracanã, dia 13 de Julho.






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