quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Botafogo de Vagner Mancini

A cada jogo o Botafogo vai ficando com a cara de Mancini / Foto: Victor Silva - Flickr Botafogo

Com a parada do Campeonato Brasileiro para a Copa do Mundo todos os clubes começam a se coçar para reforçar os elencos e tentar sofrer o mínimo possível com a janela européia. Apesar de nos últimos anos termos repatriados e trazidos alguns jogadores de nome como Seedorf, Fórlan, Pato, Ronaldinho Gaúcho e Deco, a verdade é que eles só vieram por não possuírem mercado na Europa. Assim, é possível ver e apontar, de acordo com as nove primeiras rodadas, o que cada time fez e precisa melhorar.

No caso do Glorioso, vamos começar pelo padrão de jogo. Após um começo muito ruim, com 4 derrotas, 3 empates e apenas 2 vitórias, o Botafogo encontrou, enfim, um padrão de jogo. O Técnico Vagner Mancini começou seu trabalho com o esquema herdado por Hungaro na Libertadores, o 4-2-3-1. No entanto, com duas rodadas já sentiu que não ia dar certo com as peças disponíveis. Lodeiro estava jogando bem abaixo da média e El Tanque, pouco participativo, fazia do time refém de bolas aéreas.

Com a chegada de Sheik e C.Alberto, a regularização de Zeballos e as substituição por contusões de Marcelo Mattos e El Tanque, o time ganhou nova cara e mudou para um 4-3-1-2. Bolatti, Airton e Gabriel formam a trinca de volantes responsáveis pela saída de bola e a marcação mais pesada, dando ao trio ofensivo total liberdade de movimentação. Mancini, também promoveu a passagem de Edilson para o meio em algumas eventualidades, assim podendo variar ainda mais o time.

Edilson, tanto no meio como na lateral municia o ataque alvinegro /
Foto: Victor Silva - Flickr Botafogo
Outro destaque da evolução do Botafogo é novamente a base. Gegê, Daniel, Otávio e Sasá quando entram se movimentam bastante e cumprem com bom preparo físico as responsabilidades táticas. Na zaga, Bolivar e Dória ganharam o reforço do reserva André Bahia que cresceu de produção, está ganhando a confiança da torcida e pode sim ser o titular, sem que o time perca qualidade. Mas, o maior feito do técnico alvinegro foi barrar Julio César e promover Junior César a titular.

Julio César cometeu erros de marcação importante, como no jogo contra a União Espanhola, pela Libertadores - cometendo pênalti infantil - ou nas derrotas para São Paulo e o empate contra o Inter, onde as jogadas dos gols adversário ocorreram pelo lado esquerdo.  Com Junior César o time ganhou mais estabilidade na marcação. O revezamento ente Lucas e Edilson na lateral ajuda a aumentar a competitividade desses jogadores.


REFORÇOS

O Botafogo tem um bom time, mas um elenco irregular. No gol existe segurança. Na ausência de Jefferson, camisa 1 da seleção, Rennan e Helton Leite dão conta do recado. Na zaga o alvinegro precisa de mais um zagueiro que possa brigar por titularidade. Se Dória realmente sair para Europa, essa necessidade torna-se ainda maior. As laterais estão bem servidas, apesar das deficiências de marcação do reserva pelo lado esquerdo.

Junto a Sheik, Zeballos comanda o ataque do Glorioso /Foto: Victor Silva - Flickr Botafogo

No meio mora a primeira dor de cabeça. Para a posição de Volante e/ou Cabeça de Área o time possui boas peças. Titulares e reserva se equiparam. A parte de criação é o problema. C.Alberto chegou para arrumar a casa, mas o campeonato é longo e o temperamento do camisa 19 é imprevisível. Jorge Wagner não está na sua melhor fase e as opções da base, apesar de boas, carecem de experiência e regularidade. Precisa sim de outro meia de criação para dividir as responsabilidades com C.Alberto.

O ataque é o que sofre mais. Com o desmantelamento do setor, que teve boa produtividade no ano passado com Elias, Rafael Marques, Vitinho, Seedorf e Lodeiro, o clube ainda não conseguiu se recuperar. Sheik e Zeballos não tem substitutos. El Tanque e Sasá não dão conta. Wallyson, que teve um bom começo de temporada, não lembra nem de longe aquele jogador que deu esperanças a equipe na pré-Libertadores. É nesse setor que o Glorioso precisa investir.

São poucas peças que o alvinegro carece. Porém, não para compor elenco e sim com status de titular. Se a diretoria conseguir fazer desse bom time um bom elenco, o Botafogo pode sonhar com algo nesse Campeonato. Se não, os torcedores podem preparar o coração na luta contra segunda divisão        

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