terça-feira, 29 de abril de 2014

O Flu de Cristóvão Borges x O Flu de Renato


Como explicar a mudança de atitude do Fluminense? Com certeza Cristóvão não mexeu só na formação do time.
Fotos: Nelson Perez Fluminense F.C. & Fernando Cazaes


A atual fase do tricolor carioca é a melhor possível. O Flu é líder do Brasileirão, eliminou o Tupi na Copa do Brasil sem direito a jogo de volta, tem uma média de 3 gols por partida desde a chegada do novo técnico e de quebra não levou nenhum gol sequer sob o comando do inteligentíssimo Cristóvão Borges.

O Flu de Renato jogava na formação: 4-3-1-2, uma formação mais defensiva do que a atual. A melhor partida foi no clássico contra o Flamengo no Maracanã, no dia 8 de fevereiro, onde o tricolor foi amplamente superior, envolveu o adversário e venceu por 3x0. O time terminou a primeira fase do estadual na segunda colocação, somando 31 pontos em 15 jogos, sendo eliminado para o Vasco na semifinal após perder o segundo jogo por 1 a 0, o tricolor tinha a vantagem do empate. Os 11 titulares do Fluminense na era Renato Gaúcho eram: Cavalieri, Bruno, Gum, Elivélton, Carlinhos; Valencia, Diguinho, Jean, Conca; Walter e Fred. O ex-gordinho entrou no time titular no lugar de Rafael Sóbis, mas o que se viu em campo desde a sua entrada foi um time fraco na marcação, lento e previsível.

Fred não esteve bem no jogo de ida contra o Horizonte-CE. Foto: Kid Junior

A estreia na Copa do Brasil contra o desconhecido Horizonte deixou clara a fragilidade do sistema defensivo tricolor. Embora tenha perdido diversas oportunidades de vencer a partida, o Fluminense não marcava bem e por pouco não voltou do Ceará com uma goleada na bagagem. O Horizonte venceu por 3x1. Mesmo jogando com 3 volantes (Valencia, Diguinho e Jean), o time ficava exposto e Cavalieri não estava inspirado como em vários jogos no Brasileiro de 2012, onde foi peça fundamental para o tetracampeonato.
A defesa sofria duras críticas, os laterais não viviam bom momento, Jean já não apresentava o mesmo futebol que o levou à seleção, Conca estava sobrecarregado na armação e Fred vivia péssima fase, fazendo com que os críticos questionassem a sua convocação antecipada para a Copa do Mundo. Esse era o Fluminense comandado por Renato Gaúcho. Soma-se a isso, a falta de planejamento do clube, tendo em vista que todos estavam cientes do problema defensivo, afinal não é da noite pro dia que Gum e Leandro Euzébio começaram a falhar. O Flu de Renato pecou por não contratar nenhum zagueiro, e quem pagou por isso foi o próprio treinador. Nesta passagem pelo clube, Renato somou 9 vitórias, obteve 5 empates e saiu derrotado em 4 oportunidades.
A derrota para o Vasco na semifinal do carioca foi considerada o estopim. O time não apresentava nenhuma organização no ataque, vivia na base dos chutões e de jogadas de Darío Conca, mas o camisa 11 foi afetado por tanta lentidão estando abaixo do seu normal em alguns jogos, o que ainda não aconteceu com a chegada do novo técnico.
Cristóvão mudou a cara do Fluminense. Foto: Lúcio Távora Agência A Tarde

Faltando menos de uma semana para a partida de volta contra o Horizonte, o tricolor demitiu Renato Gaúcho e contratou o novo treinador em menos de 24 horas. A missão de resgatar o bom futebol de um time desanimado estava nas mãos de Cristóvão Borges.
O novo técnico não era visto com bons olhos pela patrocinadora, mas o presidente do Fluminense Peter Siemsen bateu o martelo e anunciou a contratação do treinador. Para muitos era uma aposta. Cristóvão chegou de mansinho e logo foi impondo o seu método de trabalhar.
A estreia foi contra o surpreendente Horizonte, jogo em que o Fluminense precisaria reverter o placar e vencer por no mínimo 2 gols de diferença. Logo de cara Cristóvão Borges mexeu na equipe. Valencia saiu para entrada de Wagner, e Walter perdeu a vaga no time titular para Rafael Sóbis (com proposta do Corinthians). O que parecia ser uma simples troca de peças se tornou em um resgate de dois jogadores com boa movimentação. O time lento do início do ano não foi visto na partida contra o Horizonte, resultado Fluminense 5x0 Horizonte-CE.
Após esse jogo o técnico teve mais tempo para treinar a equipe, demonstrando uma preocupação ímpar com o sistema defensivo. Qualquer entendedor saberia identificar o ponto fraco do time carioca, mas poucos saberiam resolver esse problema sem trocar peças no setor. Palmas para Cristóvão Borges. O time base sob o comando do novo treinador é: Cavalieri, Bruno, Gum, Elivélton, Carlinhos; Diguinho, Jean, Wagner, Conca; Rafael Sóbis e Fred. Durante os jogos as formações variam de 4-4-2 para o 4-2-3-1, confundindo os adversários na marcação.

Jogadores comemoram mais um gol na era Cristóvão. Foto: Nelson Perez Fluminense F.C.

O Flu iniciou o campeonato brasileiro com uma vitória de 3x0 sobre o Figueirense, no Maracanã. Logo depois enfrentou o Tupi-MG, fora de casa, pela segunda fase da Copa do Brasil, mais uma vitória sem sustos, 3x0. Com isso, o tricolor passou a ser visto de forma diferente, uma defesa segura, movimentação intensa dos meias Conca e Wagner, Fred fazendo gols e a raça do incansável Rafael Sóbis. Mas os invejosos diziam “ganhar de time pequeno é fácil”, então chegou à vez do gigante Palmeiras – que se tornou pequenino no jogo contra o novo Fluminense, no Pacaembu. Uma aula de jogar futebol foi dada ao Palmeiras, com Darío Conca desfilando em campo. Vendo os melhores momentos fica a certeza, 1x0 foi pouco, muito pouco.
Sóbis comemora com Fred o gol da vitória contra o Palmeiras. Foto: Miguel Schincariol

Lá se foram quatro jogos sob o comando de Cristóvão, 12 gols marcados, nenhum sofrido, 100% de aproveitamento. Líder do campeonato brasileiro, único time a vencer os dois jogos, com isso fica fácil dizer que o novo técnico, que chegara sem o aval da patrocinadora, passou a ser visto como o grande reforço do tricolor na temporada junto com o craque argentino.

O próximo teste será contra o Vitória, às 21h, no Maracanã. 50 mil pagantes será pouco.



2 comentários:

  1. Mudou a cara do time, parabéns Cristóvão.
    Boa matéria.

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  2. Realmente, sábias palavras, mas ainda pelo simples fato de a unimed quer ser tão unanime no club, a ponto de querer fazer suas vontades alheias por gostar do Fluminense.

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